Esta semana comemorou-se o Dia Nacional da Saúde. Confira o artigo do diretor de Saúde e Segurança na Indústria do Sesi-ES, Júlio Zorzal, alusivo à data comemorativa, em que ressalta a importância de se criar um ambiente de trabalho saudável e seguro para contribuir com a qualidade de vida do colaborador das indústrias e, por conseguinte, aumentar a competitividade e produtividade da indústria.

Ambiente de trabalho saudável e seguro impulsiona a competitividade das empresas

No dia 05 de agosto, comemora-se o Dia Nacional da Saúde e, em meio a esse clima de conscientização sobre a importância dos cuidados diários com a saúde física e mental, não podemos deixar de falar na saúde do trabalhador.

A promoção da Saúde vai muito além da prevenção e combate à doenças: diz respeito à busca da qualidade de vida, o que inclui o ambiente de trabalho.

No Estado, entre 2012 e 2017, foram perdidos 3.803.520 dias de trabalho, impactando diretamente na competitividade das indústrias capixabas, seja em função dos elevados custos associados aos afastamentos, seja pelos trabalhos perdidos, além do aspecto negativo na área social. No Brasil, este número chegou a 305.299.902 dias perdidos, segundo dados levantados pelo Números Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo (Ideies).

Neste mesmo período, os afastamentos previdenciários acidentários geraram uma despesa total de R$ 175,8 milhões de reais no Espírito Santo, enquanto no país alcançou-se a marca de R$ 14,9 bilhões. Isso considerando apenas os auxílios-doença por acidente no trabalho.

Tais fatos mostram que a gestão correta de Saúde e Segurança do Trabalho, além de diminuir acidentes e aumentar a produtividade dos trabalhadores, gera redução dos custos da empresa.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que um ambiente de trabalho saudável deve ser criado a partir de uma gestão participativa entre empregadores e trabalhadores e, para isso, áreas chaves de influência como o ambiente físico de trabalho, ambiente psicossocial, os recursos para a saúde pessoal e o envolvimento da empresa na comunidade devem ser levados em consideração.

E como isso deve ser feito? Algumas medidas básicas que os gestores devem ter em vista para contribuir com o bem-estar dos trabalhadores e aumento da produtividade: mapear os riscos ambientais e implantar medidas de engenharia e administrativas para sua mitigação, acompanhar a saúde do trabalhador e, especificamente, em grupos com indicativos de doenças ocupacionais e com Doenças Crônicas não transmissíveis.

Já as ações com foco em ergonomia são importantes para reduzir a segunda maior causa dos afastamentos: as doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo, as quais representam cerca de 19% das concessões de Auxílio-Doença e de Aposentadoria por Invalidez de Naturezas Previdenciária e Acidentária, segundo o Ministério da Previdência Social (MPS).

Para contribuir com um ambiente de trabalho favorável à saúde do trabalhador, o Sesi tem desenvolvido ações como a implementação do Centro de Inovação de Ergonomia; a idealização do SesiViva+, uma plataforma digital inovadora de gestão de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) e promoção da Saúde nas empresas, que reúne em um único espaço dados de saúde e estilo de vida do colaborador, facilitando a tomada de decisões pelas empresas sobre os investimentos nessa área; além do apoio às indústrias no processo de implatação do eSocial, que prevê uma gestão informatizada de todas as informações trabalhistas, recursos humanos, previdenciárias e, principalmente, saúde e segurança do trabalho.

Associadas, essas iniciativas resultam num ambiente de trabalho saudável e seguro, contribuindo com a redução dos afastamentos por motivos de acidentes e doenças do trabalho, consequentemente com o aumento de produtividade e competitividade.

Júlio Zorzal, mestre em engenharia de produção, especialista em Segurança do Trabalho e Educação Profissional, e diretor de Saúde e Segurança na Indústria do Sesi-ES

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